Crítica - Chimera (2018)

Realizado por Maurice Haeems
Com Kathleen Quinlan, Henry Ian Cusik

Pode não ser um título muito conhecido, mas "Chimera" é, sem dúvida, uma obra de ficção cientifica com boas ideias e com um sentido de criatividade muito sério e interessante. É certo que não estamos perante um filme memorável, mas estamos sim perante um produto independente muito interessante que encontrou no FantasPorto 2018 o palco ideal para brilhar e para se apresentar ao grande público.
É certo que passou um pouco ao lado do grande público do FantasPorto, mas entre todas as longas metragens que passaram por este festival portuense este ano, "Chimera" destacou-se pelo equilíbrio e pela forma como aborda uma história repleta de potencial que se insere num género complexo. Perante todas as dificuldades de orçamento, "Chimera" brilha sem complicar e embora apresente muitos erros pelo meio, consegue ainda assim produzir um resultado final muito satisfatório. 
Estamos perante um filme que junta financiamento de vários países, nomeadamente da Índia, dos Estados Unidos da América e dos Emirados Árabes Unidos, e que aborda uma história futurista que mexe com medicina, tecnologia, ética e ciência de investigação. Pode-se descrever, portanto, como um thriller sci-fi biomédico que explora a saga de um cientista para descobrir rapidamente um processo curativo para os seus filhos que estão infectados por um vírus. Esta sua investigação contra o tempo e contra um rival imponente acaba por produzir resultados terroríficos e é neste ponto que entra o ramo da ficção cientifica e do terror.
A sua trama prende-se, no início, aos dilemas éticos, obrigando o espectador a navegar por áreas moralmente complexas e ambíguas sem uma resposta concreta. É, desta forma, desenvolvido um forte envolvimento dramático, ético e familiar com o espectador por via das questões que o filme vai levantando. Esta abordagem ética acaba por ser o veículo condutor perfeito para uma reta final que está menos ligada à lógica e à ligação com o espectador, mas que acaba por transportar a história para a sua fase mais terrorífica e intensa. É nesta parte final que "Chimera" se transforma e passa de um filme que, até então, passava muito por uma análise dramática e cerebral em relação à trama, para uma obra mais fantasiosa e com elementos de terror. É certo que esta parte final perde a profundidade de outrora, mas ganha um maior ritmo e ação. Esta transição não está isenta de falhas, mas ainda assim tem o seu valor. É basicamente isto que define "Chimera". É um filme que está longe de ser perfeito, mas que tem boas ideias e que consegue cumprir os objetivos mínimos

Classificação - 3 Estrelas em 5 

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